10 dezembro 2004

A estranha natureza da liberdade

...posto isto, levantou-se e disse alto - Tenho andado a foder com um gajo... que me pede, não, que me implora que eu lhe bata!

Platão olha à volta e diz em surdina

- Mas tu estás parva? Queres que as pessoas ouçam?
- Caras pessoas! Ouçam-me!! Fellow citizens of decaying Rome! Lend me your ears! - acrescentando em surdina, num tom sarcástico - Como, assim?

Platão estudou Josefa fixamente pelo que pareceu quase um minuto, com o ar mais sério do mundo. Neste momento, toda a gente na sala manteve silêncio, fixando o olhar em Josefa, que se mantinha de pé ainda ofegante, devolvendo um olhar sarcástico a Platão. Josefa estava excitada - ele sabia. Aquilo dera-lhe prazer, gritar para o mundo na sua melhor imitação de J. César. Os seus seios estavam duros, a sua respiração mantinha-se ofegante, um ligeiro sorriso no canto de uma cara corada e quente e a mão estendida para a sua audiência como se de Amália tratasse.

Platão faz cara de quem acaba de saber da morte de algum ente querido e diz calmamente, após baixar o olhar para o seu café

- Senta-te.

Josefa apercebe-se da situação. Com coragem, olha para a sala, saltitando o olhar de pessoa em pessoa. Uma a uma desviam o olhar, uma fracção de segundo antes da sua vez. E senta-se lentamente, fixando o olhar no pau de canela do seu café, ainda húmido.

- ...Está-me no sangue, não é verdade?

- Foram feitos um para o outro.




imagem do filme Ken Park
(a censura não é minha)

1 Comments:

Blogger Dark Electronic said...

Eu tenho algumas sem serem censuradas =p

12/11/2004 10:04 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home